Congo volta a disputar uma Copa e guarda memória dolorida da ditadura
Escrito por Agência DM3 em 18/06/2026
Uma das seleções que tem chamado atenção nesta Copa do Mundo é a República Democrática do Congo. O país volta a disputar um mundial após 52 anos de ausência, e ainda traz lembranças doloridas do período da ditadura. Por isso, seu retorno foi tratado como uma das grandes histórias humanas do torneio.

A República Democrática do Congo ainda se chamava Zaire quando participou de sua primeira copa, em 1974, disputada na Alemanha Ocidental. Na época, o país vivia uma das ditaduras mais brutais da África. E o ditador Mobutu Seko usava o futebol como ferramenta de propaganda política para promover o nacionalismo e seu regime. Para motivar os jogadores a se classificarem para a torneio, Mobutu prometeu carros, casas e grandes prêmios financeiros.
Logo no primeiro jogo o então Zaire perdeu para a Escócia por 2 a 0. Na partida seguinte, sofreu uma das maiores goleadas da história das copas, perdendo por 9 a 0 para a antiga Iugoslávia. Antes do último jogo da fase de grupos, contra o Brasil, os jogadores descobriram que não iram receber os prêmios prometidos pelo regime. Revoltados, ameaçaram não entrar em campo.
Foi então que veio o ultimato: o ditador Mobutu Seko ameaçou os jogadores e suas famílias de morte, obrigando-os a jogar e avisando que, se perdessem por mais de três gols, não voltariam para casa vivos. A ameaça foi repassada à seleção africana por militares que estavam na Alemanha para acompanhar o desempenho da equipe.
Os congoleses entraram em campo aterrorizados. Aos 33 minutos do segundo tempo, o Brasil já tinha marcado três gols. Mais um decretaria a sentença de morte. Foi quando foi marcada uma falta para a seleção brasileira. Enquanto Rivellino se preparava para cobrar, o zagueiro Mwepu Ilunga correu para fora da barreira e chutou a bola antes da cobrança. O árbitro romeno Nicolae Rainea interrompeu a partida e deu cartão amarelo ao jogador.
Por muito tempo, a imprensa e o público zombaram desse lance, afirmando que Ilunga fez a manobra por desconhecer regras básicas ou por falta de disciplina. Somente anos depois, historiadores e o próprio zagueiro revelam que a atitude foi tomada para salvar sua própria vida e a de seus companheiros de time.
Com o fim da ditadura de Mobutu, na década de 90, o país adotou o nome de República Democrática do Congo. Agora, a seleção congolesa pode jogar com a tranquilidade de não ser oprimida por um regime brutal. Os africanos marcaram seu primeiro gol em copas do mundo nessa quarta-feira, dia 17, quando empataram por 1 a 1 contra Portugal.
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