Sete Em Cada 10 Mulheres Já Sofreram Assédio No Brasil, Aponta Pesquisa
Escrito por Agência DM3 em 06/03/2026
Sete em cada dez mulheres afirmam já ter sofrido algum tipo de assédio moral ou sexual, principalmente em ruas e espaços públicos. Os dados fazem parte da pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres, divulgada nesta quinta-feira (5).
O estudo foi realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec, empresa especializada em pesquisas sociais e de mercado. Ao todo, 3,5 mil pessoas foram entrevistadas em dezembro de 2025 nas cidades de Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
Entre as 2.066 mulheres entrevistadas, 71% relataram já ter sofrido algum tipo de assédio em pelo menos um dos seis ambientes analisados pela pesquisa: ruas e espaços públicos, transporte público, ambiente de trabalho, ambiente doméstico, bares ou casas noturnas e transporte particular.
Apesar de o índice ser ligeiramente menor do que o registrado em 2014, quando chegou a 74%, as entidades responsáveis pelo levantamento avaliam que a proporção continua elevada e persistente nas capitais pesquisadas.
Onde os casos ocorrem com mais frequência
Ruas e espaços públicos — como praças, parques e praias — aparecem como os locais mais citados pelas entrevistadas, com 54% das menções. Em seguida está o transporte público, citado por 50% das mulheres.
O ambiente de trabalho surge em outro patamar, mencionado por 36% das entrevistadas. Bares e casas noturnas aparecem com 32%, enquanto o ambiente familiar foi citado por 26% das mulheres.
Já o transporte particular, incluindo táxis e carros por aplicativo, foi mencionado por 19% das participantes.
A pesquisa também aponta que 5% das mulheres disseram ter sofrido assédio em todos os seis ambientes analisados.
Entre as ações apontadas pela população como mais importantes para enfrentar o problema, o aumento das penas para agressores lidera as respostas, com 55% das menções. Em seguida aparece a ampliação dos serviços de proteção às vítimas, citada por 48% dos entrevistados.
Outra medida considerada relevante é agilizar as investigações das denúncias, apontada por 37% das pessoas que participaram da pesquisa.
Divisão das tarefas domésticas
O levantamento também investigou como homens e mulheres percebem a divisão das tarefas domésticas. Entre todos os entrevistados, 39% afirmam que as atividades da casa são responsabilidade de todos, mas acabam sendo realizadas majoritariamente pelas mulheres.
Para 37% dos participantes, as tarefas são divididas igualmente entre homens e mulheres. A percepção, no entanto, muda quando se observa o recorte por gênero. Entre os homens, 47% acreditam que as atividades domésticas são divididas de forma igualitária, enquanto entre as mulheres esse percentual cai para 28%.
Além disso, 32% dos homens reconhecem que as mulheres realizam a maior parte das tarefas, mesmo sendo uma responsabilidade compartilhada. Entre as mulheres, esse índice sobe para 44%.
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