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Perda de peso sem milagres: o que você precisa saber sobre Mounjaro e dietas eficazes

Escrito por   em 05/04/2025

A busca pelo emagrecimento costuma se intensificar no início do ano, especialmente após o período de festas, quando os exageros alimentares deixam marcas na balança e na autoestima. Mas ao contrário do que muitas manchetes prometem, não existe fórmula mágica. Para entender o que há de fato por trás dos métodos mais comentados do momento — como o uso do medicamento Mounjaro, o papel das dietas com restrição de carboidratos, e os desafios do famoso efeito sanfona — ouvimos quem realmente entende do assunto: a endocrinologista Amana Brito e os nutricionistas Bruno Brito e Lavínia Siqueira. Eles explicam o que funciona, o que é mito e quais estratégias são mais eficazes para perder peso com saúde — e manter os resultados a longo prazo.

Uso do Mounjaro no processo de emagrecimento
A popularização do Mounjaro (tirzepatida) como um “emagrecedor milagroso” acende o alerta entre especialistas da saúde. Apesar de representar um avanço real no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, o medicamento tem sido usado por pessoas saudáveis com o único objetivo de perder peso rapidamente — o que pode provocar sérias consequências para o organismo.

A endocrinologista Amana Brito de Matos destaca que o Mounjaro possui um mecanismo duplo de ação em dois hormônios importantes, GLP-1 e GIP, o que promove saciedade e controle da fome. Segundo ela, o remédio deve ser sempre indicado por um profissional da saúde e não deve ser utilizado sem acompanhamento.

“É uma substância complexa que apresenta um mecanismo duplo de ação em hormônios conhecidos como GLP-1 e GIP. Ela melhora o metabolismo das gorduras, proporciona saciedade, controle da fome e ajuda na ação da insulina produzida pelo organismo”, explica a médica.

Para Amana, o uso desregulado pode provocar complicações graves, especialmente se o medicamento for adquirido de forma clandestina ou manipulado fora das normas da Anvisa.

“Deve ser prescrita com a orientação de um médico endocrinologista, com acompanhamento e orientação. Caso contrário, pode causar danos à saúde pelo uso errado e sem indicação clínica. Pode trazer efeitos gastrointestinais como diarreia, vômitos, desidratação, reações alérgicas e complicações graves”, reforça.

“A venda desta substância manipulada, sem aprovação dos órgãos reguladores, bem como transporte inadequado, pode levar a modificações na molécula. Isso acarreta graves efeitos na saúde e comprometimento da eficácia”, alerta

Medicamento não é atalho para perda de peso, diz nutricionista
O nutricionista clínico Bruno Brito reforça que o uso do Mounjaro deve ser reservado a casos clínicos de obesidade e diabetes tipo 2. Segundo ele, a procura por “soluções rápidas” tem levado pessoas saudáveis a usarem a substância com fins estéticos — o que é perigoso e contraproducente para a saúde a longo prazo.

“A diabetes tipo 2 é uma doença crônica, multifatorial, que afeta milhões de brasileiros e está intimamente ligada à obesidade. O excesso de gordura corporal pode levar à resistência à insulina e predispor a outras doenças, como hipertensão e problemas cardíacos”, explica Bruno.

Ele compara o Mounjaro ao já conhecido Ozempic e explica que os dois agem nos mecanismos hormonais relacionados à fome e à saciedade, mas devem ser usados com critério, em conjunto com outras mudanças de hábitos.

“O Mounjaro tem ganhado popularidade, assim como o Ozempic, como tratamento para diabetes tipo 2 e obesidade. Mas é um medicamento, e deve ser utilizado apenas com recomendação médica. Usar por conta própria traz riscos à saúde”, diz o nutricionista.

“Não estamos falando de alguém que quer caber em um vestido em uma semana para ir a um evento. Trata-se de um tratamento para doenças complexas, que exige mudanças no estilo de vida, alimentação e prática de atividade física”, enfatiza.

“Apesar de popular, não é indicado para todos”
A nutricionista Lavínia Siqueira reforça os riscos do uso indiscriminado do Mounjaro e destaca que, apesar dos bons resultados no controle glicêmico e na perda de peso, o medicamento não é indicado para qualquer perfil de paciente. Ela afirma que é comum o uso estético da substância, o que representa um perigo silencioso. Para ela, o acompanhamento médico é essencial ao longo de todo o processo. Mesmo em pacientes que têm indicação clínica, os efeitos colaterais exigem monitoramento constante.

“É preciso cautela e acompanhamento médico, pois não é indicado para todos os indivíduos. A medicação pode acarretar efeitos colaterais, por isso a orientação médica deve estar presente em todo o processo”, alerta a nutricionista.

Dietas eficazes devem respeitar o contexto e as preferências do paciente, dizem especialistas
Diferentemente das dietas da moda, que prometem perda de peso acelerada em poucas semanas, a escolha de um plano alimentar eficaz e seguro deve considerar uma abordagem mais personalizada e sustentável. Segundo nutricionistas clínicos, a alimentação equilibrada, adaptada ao perfil individual do paciente e livre de extremismos, é o caminho mais indicado para resultados duradouros.

Adaptação à realidade social e alimentar é essencial
Para o nutricionista Bruno Brito, a eficácia de uma dieta está diretamente ligada à sua sustentabilidade a longo prazo e à capacidade de se adequar ao contexto de vida de cada pessoa. Ele destaca que dietas populares, muitas vezes divulgadas por influenciadores ou revistas, podem até trazer resultados rápidos, mas são difíceis de manter.

“A dieta mais eficaz e segura é aquela que promove uma alimentação equilibrada, sustentável e acessível ao contexto social do paciente. Ela precisa respeitar a individualidade, os hábitos e a cultura de quem vai segui-la. Somando esses fatores, conseguimos chegar a um plano alimentar ideal”, afirma Bruno.

Ele aponta a dieta mediterrânea como um exemplo positivo, por incluir uma ampla variedade de alimentos e se adaptar com facilidade a diferentes realidades.

“A dieta mediterrânea é rica em frutas, vegetais, grãos integrais, proteínas magras e gorduras saudáveis. Ela permite uma variedade alimentar ampla, o que favorece a adesão e os resultados. Além disso, ela promove autonomia nas escolhas alimentares, algo que considero fundamental no acompanhamento nutricional”, explica o nutricionista.

Déficit calórico e equilíbrio garantem adesão duradoura
A nutricionista Lavínia Siqueira reforça que o segredo está na construção de um plano alimentar que combine déficit calórico com prazer e equilíbrio. Para ela, o foco deve estar na diversidade de alimentos e na eliminação de discursos que demonizam determinados grupos alimentares.

“Uma dieta eficaz é aquela que está em déficit calórico, mas respeita as preferências do paciente. A diversidade alimentar é essencial, e o terrorismo nutricional só atrapalha a adesão ao plano. É a combinação desses fatores que garante um resultado duradouro”, pontua Lavínia.

Ela enfatiza que o sucesso da dieta não está apenas na perda de peso, mas na manutenção de hábitos saudáveis ao longo do tempo.

“Não adianta perder peso em poucas semanas e recuperar tudo depois por não conseguir manter a dieta. O que funciona é aquilo que o paciente consegue levar para a vida, sem sofrimento ou culpa”, alerta.

Alimentos que promovem saciedade e os que devem ser evitados no emagrecimento
Durante o processo de emagrecimento, é comum que pacientes tentem cortar diversos alimentos de maneira radical, o que pode comprometer a adesão à dieta. Especialistas reforçam que o ideal é evitar ultraprocessados e açúcares adicionados, ao mesmo tempo em que se priorizam alimentos ricos em fibras e proteínas para prolongar a saciedade.

Evitar ultraprocessados e priorizar alimentos in natura é essencial
O nutricionista Bruno Brito alerta que o impulso de cortar drasticamente alimentos como pães e doces costuma surgir nos momentos em que o paciente decide iniciar um novo plano alimentar. Para ele, o foco deve estar na redução de alimentos ultraprocessados e no consumo de alimentos naturais e nutritivos.

“Brinco com alguns pacientes que, ao decidirem iniciar uma nova dieta ou o ‘projeto verão’, ativam o ‘modo mãos de tesoura’, querendo cortar tudo. Os principais alvos costumam ser o pão e o açúcar, mas cada caso é único. O ideal é evitar alimentos ultraprocessados, como calabresa, salame, presunto e peito de peru”,diz Bruno.

Segundo ele, o consumo de produtos ricos em gorduras saturadas e açúcares adicionados também deve ser limitado.

“Refrigerantes, doces, biscoitos, frituras e fast foods estão entre os alimentos que mais dificultam o emagrecimento saudável. É fundamental que a base da alimentação seja composta por alimentos in natura, como propõe o Guia Alimentar para a População Brasileira. Essa mudança ajuda a controlar melhor a fome e manter uma alimentação equilibrada”, afirma o nutricionista.

Frutas, fibras e proteínas contribuem para o controle da fome
A nutricionista Lavínia Siqueira complementa que, para manter a saciedade durante o processo de emagrecimento, é importante investir em alimentos com menor densidade calórica e maior volume por porção. Isso permite que o paciente se sinta satisfeito por mais tempo, sem exagerar nas calorias.

“Frutas como morango, melão, melancia e mamão são excelentes opções por terem baixo valor calórico e alto volume. Elas ajudam o paciente a se sentir saciado com mais facilidade e menos calorias. A combinação com fibras e proteínas reforça esse efeito”, explica Lavínia

Ela destaca ainda a importância de incluir alimentos como aveia, chia, linhaça e psyllium, além de boas fontes de proteínas animais e vegetais.

“Ovos, frango, peixe, carne vermelha e proteínas vegetais como grão-de-bico, lentilha, soja e feijão são fundamentais para manter a saciedade. Esses alimentos são versáteis e se adaptam bem a diferentes padrões alimentares, inclusive para vegetarianos. A combinação certa desses grupos alimentares favorece um plano de emagrecimento eficiente e duradouro”, reforça.

O impacto dos hormônios no emagrecimento e os riscos do uso indiscriminado
O equilíbrio hormonal desempenha um papel fundamental no controle do peso, e algumas condições médicas podem dificultar o emagrecimento. No entanto, especialistas alertam que a reposição hormonal deve ser feita apenas sob orientação médica, e o uso indiscriminado de medicamentos ou suplementos pode trazer sérios riscos à saúde.

Terapia hormonal deve ser feita apenas quando há indicação médica
A endocrinologista Amana Brito de Matos explica que a terapia hormonal não deve ser utilizada para fins estéticos. Ela ressalta que seu uso é recomendado apenas para casos específicos, como a menopausa ou deficiências hormonais diagnosticadas.

“A terapia hormonal está indicada em mulheres na menopausa ou em pessoas que tenham carências de determinados hormônios. Nunca se deve fazer reposição hormonal apenas por questões estéticas, pois isso pode trazer sérias consequências. Além disso, muitas vezes, a própria perda de peso contribui para a melhora do perfil hormonal do paciente”, afirma Amana.

Alterações hormonais podem dificultar o emagrecimento
Algumas doenças endócrinas, como hipotireoidismo, diabetes e síndrome dos ovários policísticos, podem levar ao ganho de peso e dificultar sua redução. Amana destaca que, nesses casos, o acompanhamento médico é essencial para garantir um tratamento seguro e eficaz.

“O médico adequado para essa avaliação é o endocrinologista, que deve identificar a alteração e tratar sem comprometer a saúde do paciente. O uso indiscriminado de medicamentos, suplementos e até vitaminas pode trazer sérios riscos. Por isso, é fundamental que qualquer intervenção seja feita com base em exames e diagnóstico preciso”, explica a especialista.

Manutenção do peso exige cuidados contínuos
O chamado “efeito sanfona” é um dos principais desafios enfrentados por quem busca perder peso. Segundo Amana, a obesidade e o sobrepeso devem ser tratados como doenças crônicas, exigindo um acompanhamento contínuo para evitar a recuperação dos quilos perdidos.

“A dificuldade em manter o peso perdido é um desafio, e por isso a obesidade deve ser encarada como uma condição crônica. Além do tratamento medicamentoso, quando necessário, a alimentação adequada e a prática de atividade física são indispensáveis. Mesmo após alcançar o peso desejado, o acompanhamento profissional deve continuar para garantir a manutenção dos resultados”, alerta a endocrinologista.

Suplementação alimentar pode ajudar no emagrecimento, mas exige acompanhamento profissional
O uso de suplementos para a perda de peso tem se tornado cada vez mais comum, mas especialistas alertam que eles devem ser encarados como aliados e não como soluções únicas. A escolha do suplemento ideal precisa levar em conta as necessidades individuais de cada pessoa, sempre com a orientação de um profissional da área.

Suplementos atuam como coadjuvantes no emagrecimento
O especialista em nutrição clínica Bruno Brito explica que os suplementos podem ser úteis para quem busca perder peso, mas seu uso deve ser feito com critério. Ele destaca que a alimentação equilibrada e a prática de exercícios físicos continuam sendo os pilares fundamentais do emagrecimento.

“Os suplementos podem auxiliar na perda de peso, mas não substituem uma alimentação equilibrada e a prática de exercícios. Eles atuam como coadjuvantes na mudança do estilo de vida e no emagrecimento, sendo um complemento e não a solução principal. A escolha do suplemento adequado deve ser feita de forma cuidadosa e individualizada, considerando as necessidades específicas de cada pessoa”, afirma Bruno.

Opções de suplementos com respaldo científico
Bruno ressalta que há diversas opções com comprovação científica para auxiliar no emagrecimento. Entre eles, proteínas como whey protein e proteínas vegetais ajudam a aumentar a saciedade e a preservar a massa muscular. Além disso, substâncias como fibras, cafeína e ômega 3 possuem benefícios reconhecidos para o controle do peso.

“Proteínas auxiliam na construção muscular e prolongam a saciedade, enquanto fibras regulam o intestino e ajudam no controle do açúcar no sangue. A cafeína pode acelerar o metabolismo e aumentar a queima de gordura, e o ômega 3 atua no controle do apetite e tem efeito anti-inflamatório. Já a creatina, embora seja mais conhecida para ganho de força, tem pesquisas que comprovam seus benefícios no emagrecimento para quem pratica exercícios de alta intensidade”, explica o especialista.

Estratégias nutricionais que favorecem a perda de peso
A nutricionista Lavínia Siqueira reforça que a prescrição de suplementos pode potencializar os resultados do emagrecimento, pois atuam diretamente no metabolismo e na bioquímica do organismo. Um dos suplementos mais recomendados em sua prática clínica é o ômega 3, que tem ação anti-inflamatória e melhora a sensibilidade à insulina.

“A suplementação regular de ômega 3 reduz a inflamação corporal e pode ajudar na melhora da sensibilidade à insulina. Isso facilita o metabolismo das gorduras e, consequentemente, auxilia no processo de emagrecimento. É um suplemento com evidências robustas e amplamente utilizado para otimizar a perda de peso”, afirma Lavínia.

Outra estratégia citada pela nutricionista é o uso do psyllium, uma fibra que forma um gel no estômago, promovendo saciedade e reduzindo a fome entre as refeições.

“O psyllium em pó é uma excelente estratégia para favorecer a perda de peso. Essa fibra cria um gel viscoso no estômago, contribuindo para a sensação de saciedade. Com isso, ajuda a controlar a fome e diminui a vontade de beliscar entre as refeições”, destaca Lavínia.

A importância do acompanhamento profissional
Os especialistas alertam que, apesar dos benefícios, a suplementação alimentar deve ser feita com responsabilidade. A orientação de um profissional é essencial para garantir o uso seguro e eficaz, evitando exageros ou o consumo de produtos inadequados.

“É fundamental que o uso de suplementos seja acompanhado por um nutricionista, que avaliará as necessidades individuais e indicará os produtos adequados. Além disso, escolher suplementos de qualidade, de marcas confiáveis e com registro na ANVISA, é um fator determinante para garantir a segurança no consumo”, conclui Bruno Brito.


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