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Museu Do Recôncavo Reabre Após Requalificação E Mostra Passado Escravocrata

Escrito por   em 09/12/2025

O Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, no Engenho Freguesia, em Candeias, reabre após passar por requalificação, tanto física quanto museológica que redefiniu a proposta expositiva do local.

O equipamento, restaurado pela Secretaria de Cultura da Bahia em parceria com o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) e a Secretaria de Turismo, adota um conceito voltado à valorização das narrativas africanas, indígenas e comunitárias.

O museu assume a missão de provocar reflexão crítica sobre o período colonial e escravocrata. Segundo o projeto, o espaço passa a “recontar a história a partir das vozes da comunidade do entorno, antes marginalizadas”.

Com investimento superior a R$ 42 milhões — incluindo financiamento do BID e contrapartida estadual — o museu também recebeu novo sistema de segurança com 136 câmeras, monitoramento 24h e intervenções que modernizam as áreas de visitação. A nova expografia, organizada pelo IPAC, está dividida em cinco núcleos:

  1. Núcleo Histórico – apresenta a linha do tempo do Engenho Freguesia e dos próprios 50 anos do museu.
  2. Núcleo dos Povos Originários – reúne fotografias, vídeo documental e grafismo criado pelo artista indígena Thiago Tupinambá.
  3. Núcleo dos Povos Escravizados – exibe documentos e manuscritos digitalizados de Castro Alves, incluindo trecho de Os Escravos (1868).
  4. Núcleo Doméstico – dispõe mobiliário, retratos, pinturas e uma cozinha de época alinhados ao novo conceito museológico.
  5. Núcleo da Memória – reúne objetos de suplício e tortura na chamada Sala do Silêncio, convidando o visitante à reflexão.

Entre os destaques está a mostra colaborativa “Fragmentos do Passado”, construída com participação dos trabalhadores do museu e coordenada pela artista plástica Daniela Steele. O espaço reúne objetos encontrados durante as obras, como móveis e ferramentas do Engenho Freguesia.

O público também passa a visitar a exposição temporária “Encruzilhadas”, que reúne obras de arte negra brasileira e africana de 40 artistas, entre eles Mestre Didi, Pierre Verger, Rubem Valentim e Emanoel Araújo.

O museu mantém acervo com 260 peças, incluindo mobiliário, pinturas, cerâmicas, fotografias, instrumentos rurais e objetos de suplício. Destas, 141 foram restauradas por uma equipe de 15 profissionais coordenados pelo restaurador José Dirson Argolo, entre elas 30 imagens sacras dos séculos XVII [17] a XIX [19].

História do museu no Engenho Freguesia:

O Engenho Freguesia é considerado o primeiro engenho do país, o espaço remonta ao século XVI e à presença indígena que antecedeu a ocupação colonial. Segundo o historiador José Wanderley de Araújo Pinho, herdeiro do casarão, a sesmaria foi cedida por Mem de Sá após conflitos com os tupinambás.

Em 1877, 121 pessoas escravizadas trabalhavam no engenho. Wanderley Pinho — professor, prefeito de Salvador e deputado federal — chegou a propor no Congresso um projeto de lei para proteger o Engenho Freguesia como patrimônio histórico e artístico. A iniciativa, embora interrompida em 1930, serviu de base para a futura legislação patrimonial e inspirou a criação do Iphan em 1937.


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