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Estudo Aponta Atraso Motor Em Bebês Que Vivem Na Pobreza

Escrito por   em 17/02/2026

Ao acompanhar 88 bebês no interior de São Paulo, os pesquisadores observaram que crianças em situação de pobreza demoravam mais para agarrar objetos, virar o corpo e sentar quando comparadas às que viviam em melhores condições. “Esses bebês, aos seis meses, apresentam menor desenvolvimento motor, com repertório reduzido de movimentos”, explicou a autora do estudo, a fisioterapeuta Caroline Fioroni Ribeiro da Silva. O trabalho contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

O alerta é relevante porque atrasos no desenvolvimento infantil podem impactar a aprendizagem futura. De acordo com a literatura científica, a falta de recursos e estímulos na primeira infância pode estar associada a dificuldades escolares, déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e transtornos de coordenação — embora a pesquisadora ressalte que mais estudos ainda são necessários para confirmar essas relações.

Apesar disso, a investigação também mostrou que a reversão dos atrasos pode ocorrer rapidamente com estímulos adequados. Aos oito meses, muitos bebês avaliados já não apresentavam diferenças significativas. A melhora foi atribuída principalmente ao engajamento das mães, que passaram a adotar práticas simples, como colocar a criança de bruços sob supervisão, conversar, cantar e oferecer objetos comuns para exploração sensorial. Segundo a fisioterapeuta, não são necessários brinquedos caros, mas sim orientação adequada.

Nas visitas às famílias, os pesquisadores incentivaram leitura, interação verbal e maior liberdade de movimento no chão, considerado o espaço mais seguro para exploração motora. O exercício de permanecer de bruços fortalece músculos do pescoço, ombros, costas e braços, preparando o bebê para rolar, sentar, engatinhar e ficar de pé.

O estudo identificou ainda fatores sociais associados ao desenvolvimento. Em lares mais pobres, bebês permaneciam mais tempo contidos em carrinhos e tinham menos oportunidades de explorar o ambiente, muitas vezes por falta de espaço. A maioria das mães nessa condição era adolescente e desconhecia formas adequadas de estímulo, o que reforça a importância de visitas de profissionais de saúde e fisioterapeutas.

Por outro lado, a presença de ambos os responsáveis no domicílio e maior escolaridade materna estiveram ligadas a melhores resultados, já que responsáveis solo tendem a ter menos tempo disponível para interação. Brinquedos simples que estimulam a motricidade fina, inclusive improvisados com materiais domésticos, também contribuem para o desenvolvimento.

O cenário global reforça a preocupação. Cerca de 400 milhões de crianças vivem na pobreza em todo o mundo, segundo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, publicado em 2025, que aponta impactos severos sobre saúde, desenvolvimento e bem-estar infantil.


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