Pesquisa alerta que 30% dos estudantes relatam tristeza frequente
Escrito por Agência DM3 em 23/09/2026
Sentimentos de tristeza, solidão, preocupação constante, sensação de que a vida não vale a pena e até vontade de se machucar de propósito têm sido comuns entre adolescentes brasileiros.

De acordo com a edição mais recente da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, realizada em 2024 pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e da Educação, quase 30% dos entrevistados disseram sentir tristeza sempre ou na maioria das vezes, e 32% confessaram ter vontade de se machucar.
A pesquisa foi feita com estudantes de 13 a 17 anos de escolas particulares e públicas do país, e aponta ainda que 49% deles disseram ter preocupação com o dia a dia, 26% afirmaram sentir que ninguém se preocupa com eles e 18,5% relataram a sensação de que a vida não vale a pena.
Outros problemas apontados pelo estudo foram violência, assédio sexual, insatisfação com a imagem corporal e bullying.
A psiquiatra Lidiane Silva, especialista no atendimento a jovens, considera a situação alarmante:
“Estamos diante de um grito de socorro coletivo, e isso nos revela que a juventude brasileira está enfrentando um sofrimento psíquico profundo e muitas vezes silencioso, porque a adolescência é uma fase de transição naturalmente complexa, mas esses danos mostram que os jovens estão sobrecarregados e lidando com uma pressão interna e externa que ultrapassa a capacidade da regulação emocional deles”, fala.
A especialista acrescenta ainda que os transtornos mais comuns entre os jovens são ansiedade e depressão, e explica que esse cenário é resultado de uma série de fatores.
“É possível destacar o impacto do ambiente digital, o uso de hiperestimulante, muitas vezes a parte ruim das redes sociais, que gera comparação constante, cyberbullying e um isolamento, né, camuflado de conexão. Além disso, vivemos em uma sociedade de cobrança imediata por desempenho, seja ele escolar ou social”, completa.
Essas questões levaram Vanessa, nome fictício para preservar a identidade da entrevistada, a encaminhar a filha para ajuda psiquiátrica depois que a adolescente de 15 anos apresentou sintomas de uma ansiedade generalizada.
“Devido a questões relacionadas à escola, especialmente um sofrimento grande em relação às amizades e à quantidade de obrigações escolares, estudos que precisam ser feitos hoje, essa cobrança, né, por você estar sempre mostrando ótimos resultados, uma performance incrível para você passar nos vestibulares, então isso começou a ficar muito assustador para ela”, relata.
Vanessa conta ainda que a filha desenvolveu problemas graves durante esse período.
“Ela chorava muito, não conseguia dormir, tinha pesadelos insistentemente, duvidando da sua própria possibilidade de alcançar resultados que ela sempre alcançou, ficou com baixa autoestima e parou inclusive de comer”, falou.
Luiza de Sá Leitão, especialista de Desenvolvimento e Participação de Adolescentes do Unicef, destaca as situações sociais que contribuem para esse cenário e ressalta a importância de políticas públicas voltadas à saúde mental dos adolescentes.
“Meninas apresentam indicadores significativamente mais elevados e sabemos que fatores como raça, cor, questões socioeconômicas também podem intensificar esse sofrimento e dificultar ainda mais o acesso adequado. Por isso, as políticas públicas precisam reconhecer essas desigualdades e garantir respostas adequadas para cada realidade”, diz.
Outro instrumento para ajudar adolescentes e jovens com questões de saúde mental é a rede Pode Falar, iniciativa do Unicef que disponibiliza um canal virtual de escuta para o público de 13 a 24 anos.
A ferramenta funciona de forma anônima e gratuita e pode ser acessada pelo site podefalar.org.br.
*Com produção de Lygia Maria
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