Guia Alimentar completa 20 anos de incentivo à comida de verdade
Escrito por Agência DM3 em 07/09/2026
Biscoitos, bolachas, refrigerantes, chips… As prateleiras dos mercados brasileiros estão abarrotadas de alimentos industrializados, especialmente os ultraprocessados. Normalmente baratos, esses produtos têm alto teor de açúcar, gorduras e conservantes, o que vem provocando um aumento do sobrepeso, da obesidade e agravando doenças crônicas.

Há 20 anos, a preocupação com os hábitos alimentares dos brasileiros levou à criação pelo Ministério da Saúde de um Guia Alimentar. Revisado em 2014, o documento busca promover a alimentação saudável e levar essas informações à população.
A proposta classifica os alimentos em quatro grupos:
- os in natura ou minimamente processados: frutas, verduras, legumes, carnes, leite, ovos;
- os ingredientes culinários: óleo, açúcar, sal e gordura;
- os alimentos processados: pães, queijos, conservas e geleias;
- e os ultraprocessados: refrigerantes, salgadinhos, biscoitos e embutidos.
A partir desta classificação, a regra de ouro é dar preferência à comida de verdade: alimentos naturais e minimamente processados. Esse tipo de comida favorece a saúde e ajuda na prevenção de doenças.
A professora do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Minas Gerais, Paula Horta, destaca a importância desses alimentos.
“A gente tá falando de frutas, verduras e legumes. A gente pode tá falando, por exemplo, do arroz polido, de uma farinha… Também tem as hortaliças que já estão higienizadas e cortadas. Então, são alterações mínimas, né? Não foi acrescentado ingredientes, a identidade daquele alimento não foi muito alterada. Então, a gente fala que esses alimentos devem ser a base da nossa alimentação. Porque eles não carregam na sua composição nutricional um excesso de aditivos alimentares, né? Eles preservam as características dos alimentos in natura, né?”
A professora aconselha usar óleo, sal e açúcar em pequena quantidade no preparo e no tempero dos alimentos.
Os processados devem ser consumidos com limitação, caso dos pães e queijos.
Já os ultraprocessados precisam ser evitados: biscoitos, refrigerantes e salgadinhos – quanto menos, melhor.
A nutricionista Paula Horta diz por que os ultraprocessados devem ser evitados.
“São aquelas formulações industriais que preservam muito pouco da identidade original daquele alimento, né? Então, se a gente tá falando, por exemplo, de um chips de milho, de um salgadinho de milho, ele tem muito pouco do milho. A cor, o aroma, né, a textura, tudo isso é alterado na indústria. Eu não consigo produzir um salgadinho como esse na minha casa. Então, os ultraprocessados, eles são produtos, são formulações industriais que carregam aí uma série de ingredientes que a gente nem sequer consegue adquirir para executar na nossa casa, para utilizar na nossa casa.”
Aprender a cozinhar com os pais, avós, amigos e até por meio de receitas da internet pode ajudar a ter uma alimentação mais saudável. Preparar lanches com frutas ou um sanduíche caseiro também facilita escapar das tentações.
Além disso, o ideal é comer em horários regulares, sem distrações como televisão ou celular.
O Guia Alimentar para a População Brasileira está disponível gratuitamente na internet. Essas orientações podem auxiliar na melhora da saúde em um dos melhores momentos do dia: a hora de comer.
*Com produção de Salete Sobreira
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