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Internet Faz Bem Ou Mal? Pesquisa Mostra Como Adolescentes Enxergam O Mundo Digital

Escrito por   em 12/08/2026

Uma pesquisa com mais de 500 adolescentes de 13 a 18 anos revela uma relação ambivalente desse público com a internet. Ao mesmo tempo em que metade dos entrevistados afirma passar mais tempo online do que gostaria, 63% dizem sentir felicidade quando estão conectados.

Divulgado nesta quarta-feira (12), Dia Nacional da Juventude, o levantamento Adolescência Sem Filtro, encomendado pelo Instituto Alana e realizado pela Agência Koga, mostra ainda que 71% dos participantes defendem que a internet continue existindo, mas com mudanças. Outros 9% consideram que a internet deveria deixar de existir.

Apesar das preocupações, a experiência online é predominantemente positiva para os adolescentes ouvidos. Segundo a pesquisa, 71% utilizam a internet para diversão, enquanto 63% associam o ambiente digital à felicidade e 55% à curiosidade.

Ao mesmo tempo, os entrevistados reconhecem os impactos negativos do uso excessivo. Quase metade (49%) acredita que as plataformas são responsáveis por construir uma internet melhor, enquanto 43% defendem que elas tenham mais controle sobre o ambiente digital.

O levantamento também mostra que os próprios adolescentes adotam medidas para se proteger de conteúdos considerados nocivos. Entre os entrevistados, 44% afirmam bloquear contas ou conteúdos prejudiciais e 32% dizem fazer pausas ao longo do dia.

Ainda assim, os efeitos do uso excessivo aparecem nas respostas. Além dos 50% que afirmam permanecer mais tempo conectados do que gostariam, 41% dizem se sentir mais dependentes do celular e 39% acreditam ter perdido tempo nos estudos por causa da internet.

A pesquisa aponta ainda que os adolescentes percebem que as plataformas são estruturadas para manter a atenção dos usuários por mais tempo. Por isso, segundo o estudo, parte deles reconhece a necessidade de adotar estratégias para controlar o próprio uso e evitar conteúdos negativos.

Redes sociais concentram uso

As redes sociais são a principal atividade dos adolescentes no ambiente digital. Segundo a pesquisa, 46% afirmam utilizar a internet diariamente para acessar essas plataformas. Na sequência aparecem conversar com amigos e familiares (37%), jogar (30%), estudar (23%) e assistir a vídeos (21%).

O levantamento aponta que as redes sociais não são vistas apenas de forma negativa pelos adolescentes. Os aplicativos também aparecem associados a pertencimento, acesso à informação, curiosidade e aprendizado.

Há diferenças entre meninos e meninas no uso da internet. Entre os meninos, 66% dizem utilizar a rede para jogar, contra 44% das meninas. Já entre as meninas, 64% utilizam a internet para conversar com familiares e amigos, ante 50% dos meninos. O uso para estudos também é maior entre elas: 60%, contra 46% entre os meninos.

Adolescentes querem participar das mudanças

A pesquisa também investigou a percepção dos jovens sobre a possibilidade de contribuir para mudanças no ambiente digital. Segundo o levantamento, 19% dos entrevistados acreditam que conseguem ajudar a mudar a internet.

O dado aparece em um contexto no qual os adolescentes demonstram preocupação com o próprio uso da tecnologia e abertura para receber apoio. De acordo com a pesquisa, 69% estão dispostos a receber ajuda para lidar melhor com a dependência da internet.

Os resultados indicam, portanto, que os jovens não enxergam a internet apenas como um problema. Ao mesmo tempo em que reconhecem os impactos do uso excessivo e defendem mudanças nas plataformas, também apontam benefícios relacionados à diversão, ao relacionamento com outras pessoas, à informação e ao aprendizado.

Prêmio propõe soluções para o ambiente digital

A partir do tema da participação de crianças e adolescentes na construção de uma internet melhor, o Instituto Alana lançou a nona edição do Prêmio Criativos, que em 2026 tem como tema “A internet é nossa”.

A iniciativa convida crianças e adolescentes de todo o país a transformar experiências no ambiente digital em projetos voltados à construção de uma internet mais segura, inclusiva, divertida e acolhedora. Podem participar estudantes do ensino fundamental II e do ensino médio, com idades entre 10 e 18 anos.

As inscrições ficam abertas até 2 de setembro, e os resultados serão divulgados em dezembro. Nesta edição, o prêmio ganhou uma categoria audiovisual, destinada a vídeos e podcasts. Outros três prêmios integram a categoria geral, que aceita formatos como campanhas, jogos, aplicativos, rodas de conversa, páginas em redes sociais e intervenções artísticas.

Entre os temas que podem ser abordados estão tempo de tela, cyberbullying, saúde mental, inteligência artificial, oportunidades de aprendizagem, desigualdade de acesso à internet, cultura dos influenciadores, combate à desinformação e o ambiente digital como espaço de expressão e protagonismo. Ao todo, os nove projetos vencedores receberão prêmios que somam R$ 12 mil.


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