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Quatro Em Cada Dez Adolescentes Já Sofreram Bullying Na Escola, Aponta IBGE

Escrito por   em 10/04/2026

Por: Mirian Silva

Cerca de 4 em cada 10 estudantes brasileiros de 13 a 17 anos afirmaram ter sofrido bullying, e 27,2% disseram ter passado por humilhações repetidas, duas ou mais vezes. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, divulgada pelo IBGE.

Em comparação com 2019, houve um leve aumento no total de vítimas (de 39,1% para 39,8%), mas o crescimento mais significativo foi na repetição dos casos, indicando maior frequência e intensidade das agressões.

A aparência física segue como principal motivo do bullying, especialmente características do rosto, cabelo e corpo. Também aparecem fatores como cor ou raça. Além disso, mais de um quarto dos estudantes afirmou não saber o motivo das agressões.

As meninas continuam sendo as principais vítimas: 43,3% relataram já ter sofrido bullying, contra 37,3% dos meninos. Elas também são mais afetadas por episódios repetidos.

Entre os agressores, 13,7% dos estudantes admitiram já ter praticado bullying, com maior incidência entre meninos. Motivos como aparência, gênero, orientação sexual e deficiência foram citados, embora nem sempre reconhecidos pelas vítimas.

A pesquisa também mostra que 16,6% dos alunos já sofreram agressões físicas, número que aumentou desde 2019. Já o bullying virtual apresentou leve queda, embora ainda atinja mais meninas.

Diante desse cenário preocupante, o Portal Taktá entrevistou o professor José Américo, especializado em educação especial e inclusiva, psicopedagogo e especialista em Análise do Comportamento (ABA), para discutir caminhos de enfrentamento ao bullying no ambiente escolar.

Segundo o professor, “a escola precisa atuar de forma preventiva e contínua, criando espaços seguros de escuta e observação ativa. Formação de professores, canais de denúncia e acompanhamento pedagógico são essenciais. Não basta punir, é preciso educar para transformar comportamentos”.

Ele também chama atenção para o papel coletivo no combate ao bullying: “O combate ao bullying é coletivo. A escola deve dialogar com famílias, promover rodas de conversa e projetos que envolvam os alunos como protagonistas. Quando todos se sentem responsáveis, o ambiente se torna mais saudável”.

Segundo a psicopedagoga Raquel Sales, “o aumento do bullying após 2019 está diretamente relacionado a fatores emocionais, como ansiedade, solidão e baixa autoestima, além da intensificação do uso das redes sociais e dos impactos da pandemia na convivência escolar. A falta de apoio psicológico também agrava esse cenário”.

Ela ainda reforça que “a escola deve promover educação emocional e respeito às diferenças, enquanto a família precisa reforçar o valor pessoal de cada jovem, evitando comparações e acolhendo seus sentimentos. Quando escola e família atuam juntas, o desenvolvimento da empatia se fortalece”.

Por fim, Raquel Sales destaca que “as estratégias psicopedagógicas, como rodas de conversa, mediação de conflitos e conscientização sobre o uso das redes sociais, são fundamentais. O acompanhamento dos alunos e o trabalho coletivo com regras claras ajudam a reduzir a exclusão e melhorar as relações entre os estudantes”.

sob supervisão da jornalista Cintia Santos*


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