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Igreja De São Francisco Permanece Interditada Seis Meses Após Desabamento

Escrito por   em 05/08/2025

Seis meses depois do desabamento parcial do teto da Igreja de São Francisco de Assis, no Centro Histórico de Salvador, o templo continua interditado. A tragédia ocorreu em 5 de fevereiro, quando parte do forro do templo cedeu e matou a turista Giulia Panchoni Righetto, de 26 anos, e feriu cinco pessoas que visitavam o local. Desde então, a chamada “Igreja do Ouro” segue em obras emergenciais para garantir sua estabilidade estrutural.

Após o acidente, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) criou uma força-tarefa com 15 técnicos para vistoriar 140 imóveis tombados em Salvador. Em consequência, seis igrejas e duas edificações residenciais foram interditadas por risco estrutural.
Posteriormente, a Iphan contratou, por dispensa de licitação, a empresa Mehlen Construções por R\$ 1.376.750,97 para executar obras emergenciais: escoramento do forro, remoção de partes instáveis, consolidação de estruturas, revisão da cobertura e acondicionamento dos fragmentos que caíram. O contrato tem vigência até outubro de 2025.

Paralelamente, em dezembro de 2023, a Iphan contratou empresa especializada para elaboração do projeto executivo de restauração da igreja e do convento anexado, com investimento inicial de R\$ 1,2 milhão. A estimativa técnica indica que a restauração total do monumento deverá durar de dois a três anos. Até meados de 2025, apenas 7% dos recursos foram aplicados; o restante permanece bloqueado e sujeito a cancelamento automático a partir de dezembro.

O Ministério Público Federal (MPF) requisitou que a Iphan e a Ordem Primeira de São Francisco adotem medidas emergenciais de escoramento, triagem de escombros e supervisão técnica especializada em até três dias. O MPF investiga possíveis omissões ou negligência anteriores à tragédia. Desde 2016, atua cobrando ações preventivas e contínuas para preservar o edifício, conforme laudos técnicos que já alertavam sobre a deterioração da estrutura.

O templo barroco, construído nos séculos XVII e XVIII, integra um dos conjuntos arquitetônicos mais representativos das Américas, com talhas douradas, azulejos portugueses e decoração barroca. Mesmo antes do colapso, estava em alerta: inspeções indicavam fiação exposta, pilastras danificadas, piso irregular e ripas escorando o teto nos corredores. A restauração dos azulejos do claustro foi concluída em 2023, com custo de R\$ 4,1 milhões, mas outras necessidades estruturais seguiram sem intervenção adequada por limitações orçamentárias.

Em 2023, um dos pátios da igreja foi parcialmente fechado devido ao risco de queda do pináculo metálico direito, pesando cerca de 1,5 tonelada. A cúpula precisou ser removida com urgência.

A igreja permanece fechada ao público por tempo indeterminado, enquanto segue em etapas de estabilização e restauração. O Iphan reforça que só permitirá a reabertura após laudos técnicos confirmarem a segurança estrutural. As equipes do MPF indicam que novos perímetros de fiscalização estão sendo monitorados, e que possíveis responsáveis por falhas poderão responder civil e criminalmente.

Além da restauração do monumento, o caso levou à ampliação da fiscalização sobre outros patrimônios tombados na região. Há intervenções preventivas em curso que visam evitar novos incidentes no Centro Histórico de Salvador.


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